domingo, 31 de janeiro de 2010

O tempo acaba o ano, o mês e a hora


O tempo acaba o ano, o mês e a hora,
A força, a arte, a manha, a fortaleza;
O tempo acaba a fama e a riqueza,
O tempo o mesmo tempo de si chora;

O tempo busca e acaba o onde mora
Qualquer ingratidão, qualquer dureza;
Mas não pode acabar minha tristeza,
Enquanto não quiserdes vós, Senhora.

O tempo o claro dia torna escuro
E o mais ledo prazer em choro triste;
O tempo, a tempestade em grão bonança.

Mas de abrandar o tempo estou seguro
O peito de diamante, onde consiste
A pena e o prazer desta esperança.

Luís de Camões

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Ariane


Ariane é um navio.
Tem mastros, velas e bandeira à proa,
E chegou num dia branco, frio,
A este rio Tejo de Lisboa.

Carregado de Sonho, fundeou
Dentro da claridade destas grades...
Cisne de todos, que se foi, voltou
Só para os olhos de quem tem saudades...

Foram duas fragatas ver quem era
Um tal milagre assim: era um navio
Que se balança ali à minha espera
Entre as gaivotas que se dão no rio.

Mas eu é que não pude ainda por meus passos
Sair desta prisão em corpo inteiro,
E levantar âncora, e cair nos braços
De Ariane, o veleiro.

MIGUEL TORGA Prisão do Aljube - Lisboa, 1 Jan 1940

sábado, 23 de janeiro de 2010

Paraíso


Deixa ficar comigo a madrugada,
para que a luz do Sol me não constranja.
Numa taça de sombra estilhaçada,
deita sumo de lua e de laranja.

Arranja uma pianola, um disco, um posto,
onde eu ouça o estertor de uma gaivota...
Crepite, em derredor, o mar de Agosto...
E o outro cheiro, o teu, à minha volta!

Depois, podes partir. Só te aconselho
que acendas, para tudo ser perfeito,
à cabeceira a luz do teu joelho,
entre os lençóis o lume do teu peito...

Podes partir. De nada mais preciso
para a minha ilusão do Paraíso.

David Mourão-Ferreira

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O Poema


O poema não é o canto
que do grilo para a rosa cresce.
O poema é o grilo
é a rosa
e é aquilo que cresce.

É o pensamento que exclui
uma determinação
na fonte donde ele flui
e naquilo que descreve.
O poema é o que no homem
para lá do homem se atreve.

Os acontecimentos são pedras
e a poesia transcendê-las
na já longínqua noção
de descrevê-las.

E essa própria noção é só
uma saudade que se desvanece
na poesia. Pura intenção
de cantar o que não conhece.

Natália Correia, in "Poemas (1955)"

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Olhando o mar, sonho sem ter de quê


Olhando o mar, sonho sem ter de quê.
Nada no mar, salvo o ser mar, se vê.
Mas de se nada ver quanto a alma sonha!
De que me servem a verdade e a fé?

Ver claro! Quantos, que fatais erramos,
Em ruas ou em estradas ou sob ramos,
Temos esta certeza e sempre e em tudo
Sonhamos e sonhamos e sonhamos.

As árvores longínquas da floresta
Parecem, por longínquas, 'star em festa.
Quanto acontece porque se não vê!
Mas do que há pouco ou não há o mesmo resta.

Se tive amores? Já não sei se os tive.
Quem ontem fui já hoje em mim não vive.
Bebe, que tudo é líquido e embriaga,
E a vida morre enquanto o ser revive.

Colhes rosas? Que colhes, se hão-de ser
Motivos coloridos de morrer?
Mas colhe rosas. Porque não colhê-las
Se te agrada e tudo é deixar de o haver?

Fernando Pessoa

sábado, 9 de janeiro de 2010

Inauguração do Departamento de Oceanografia e Pescas











Universidade dos Açores: Doutoramento "Honoris causa" para professor Mário Ruivo

Atribuindo as insígnias de Doutor Honoris Causa ao biólogo português, Professor Mário Ruivo, a Universidade dos Açores vai prestar, na cidade da Horta, uma homenagem a um verdadeiro pilar da afirmação portuguesa e açoriana no mundo das ciências do mar e da investigação científica.
A Universidade dos Açores vai atribuir no dia 8 de Janeiro as insígnias de Doutor Honoris Causa ao Doutor Mário Ruivo, considerado um pilar das ciências do Mar e da investigação marinha em Portugal.
Nesta homenagem nacional ao Professor Mário Ruivo vão estar praticamente todos os reitores das universidades portuguesas e o Dr. Mário Soares, além de outras individualidades nacionais.
Ricardo Serrão Santos, director do Departamento de Oceanografia e Pescas, disse ao Correio dos Açores que, além de pilar das ciências do mar e da investigação científica em Portugal, o Professor Mário Ruivo foi sempre um convicto defensor das questões de desenvolvimento e projecção dos ciências do mar através dos Açores.
De cima dos seus mais de 80 anos, Mário Ruivo tem um trabalho relevante desenvolvido na FAO, nas Nações Unidas e na UNESCO. Foi sempre um pilar da projecção nacional em questões do mar e da investigação marinha, reafirmou Ricardo Serrão Santos.
A cerimónia de entrega das insígnias de Doutor Honoris Causa vai iniciar-se pelas 11h00 do dia 8 de Janeiro com um cortejo académico da sociedade Amor da Pátria para o Teatro Faialense, onde, depois, o Reitor da Universidade dos Açores, Avelino Menezes, fará a intervenção solene.
O Laudatio vai ser proferido pelo Dr. Mário Soares a que se seguirá a imposição propriamente dita das insígnias. Após o discurso do Doutor Mário Ruivo, a cerimónia encerra com um cortejo académico, agora de regresso à Sociedade Amor da Pátria.
No dia seguinte, pelas 15h30, vai proceder-se à cerimónia de inauguração das novas instalações do Departamento de Oceanografia e Pescas (antigo hospital Walter Bensaúde).
Duas horas depois realiza-se a sessão solene comemorativa do 34º aniversário da Universidade dos Açores.
A oração de sapiência, intitulada A influência da Oscilação do Atlântico Norte (OAN) na Variabilidade Climática Inter-anual do Oceano Atlântico Nordeste, vai ser proferida pela Doutora Ana Maria de Pinho Ferreira Silva Fernandes Martins, do Departamento de Oceanografia e Pescas.
Na intervenção que, habitualmente, faz nesta sessão solene, o reitor da Universidade dos Açores, aborda questões relativas às carências do estabelecimento de ensino superior da Região.

Doutor Honoris Causa

O Professor Mário Ruivo, que tomou posse como Presidente do CNADS no dia 28 de Novembro de 1997, tem visto o seu mandato sucessivamente renovado.
É, por formação, biólogo (Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, 1950), especializou-se em Oceanografia Biológica e Gestão dos Recursos Vivos Marinhos (Universidade de Paris Sorbonne, Laboratoire Arago: 1951-54).
Foi Director da Divisão dos Recursos e Ambiente Aquático da FAO (1961-74), tendo participado na Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente Humano (Estocolmo, 1972). Secretário da Comissão Oceanográfica Intergovernamental (COI) da UNESCO (1980-89) e Professor Catedrático Convidado da Universidade do Porto/ICBAS (Curso de Política e Gestão do Oceano).
É, actualmente, Presidente do Conselho Científico das Ciências do Mar e do Ambiente da Fundação para a Ciência e a Tecnologia e Presidente do Comité Português para a COI/MNE, tendo sido eleito Vice-Presidente daquele organismo intergovernamental (COI/UNESCO), em 2003. Foi membro da Comissão Estratégica dos Oceanos, criada na dependência do Primeiro-Ministro do XV Governo Constitucional.

FAO e UNESCO

O governo português já o atribuiu as condecorações de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique; Grande Oficial da Ordem Militar de Santiago de Espada: e Grã-Cruz da Ordem do Mérito . Recebeu das mãos do Presidente da República do Brasil em Outubro de 1998 a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico. Em 1997 recebeu o Açor de Cristal atribuído pela Mostra Atlântica de Televisão - MAT97.
Exerceu inúmeros outros cargos e funções relevantes no governo português, tendo sido Secretário de Estado das Pescas e Ministro dos Negócios Estrangeiros no período 1974/1975. Chefe da Delegação Portuguesa à Conferência das Nações Unidas sobre o Direito do Mar no período 1974/1978. Presidente da Comissão Nacional da FAO de 1974 a 1980. Director-geral da Investigação e da Protecção dos Recursos do Meio Aquático (Ministério da Agricultura e Pescas no período 1974/1979). Secretário da Comissão Oceanográfica Intergovernamental - COI, da UNESCO no período 1980/1988.
Conselheiro Consultivo da EXPO98 Os Oceanos - Um Património para o Futuro. Membro e Coordenador da Comissão Mundial Independente para os Oceanos de 1995 a 1998. Além de numerosas publicações científicas no campo da oceanografia biológica e gestão de pesca, é autor de estudos, ensaios e artigos sobre política e gestão dos oceanos, ciência, sociedade e ética, aspectos institucionais da cooperação internacional em assuntos do mar e ambiente.

Autor: João Paz

notícia retirada daqui

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Departamento de Oceanografia e Pescas




34º Aniversário da Universidade dos Açores
No próximo dia 9 de Janeiro de 2010 a Universidade dos Açores comemorará o seu 34º aniversário.
Desta vez, o aniversário será comemorado na Horta, com uma Sessão Solene às 17h30, no Teatro Faialense, presidida pelo Magnífico Reitor, Prof. Doutor Avelino de Meneses, e em que a Oração de Sapiência, sobre o tema "A Influência da Oscilação do Atlântico Norte (OAN) na Variabilidade Climática Inter-Anual do Oceano Atlântico Nordeste", estará a cargo da Doutora Ana Martins, investigadora do Departamento de Oceanografia e Pescas.

Ainda no dia 9 de Janeiro, pelas 15h30, terá lugar a cerimónia de inauguração das Novas Instalações do Departamento de Oceanografia e Pescas, resultantes da remodelação do antigo Hospital Walter Bensaúde. O acto é particularmente simbólico porque comprova o desenvolvimento incessante da Universidade dos Açores e confirma a tripolaridade como modelo de organização universitária mais adequado à realidade arquipelágica.

Pelas 16h30, no mesmo local, as Universidades dos Açores e de Coimbra procederão à asssinatura de uma adenda ao protocolo do Ciclo Básico de Medicina, que acresce a duração daquele curso para 3 anos na universidade açoriana.

Aproveitando as comemorações deste 34º aniversário, a Universidade dos Açores organizará, no dia 8 de Janeiro, pelas 11h00, no Teatro Faialense, a cerimónia de outorga das insígnias de Doutor Honoris Causa ao Doutor Mário Ruivo, reputado investigador na área das Ciências do Mar, que será apadrinhado pelo Doutor Mário Soares, ex-Presidente da República Portuguesa e da Comissão Internacional Independente dos Oceanos.

À semelhança do ocorrido em anos anteriores, realizar-se-á ainda uma reunião plenária do Conselho de Reitores das Universidade Portuguesas, que decorrerá na sala de reuniões do Hotel do Canal, pelas 15h00 do dia 8 de Janeiro.

Todos os eventos estarão abertos ao público em geral, à excepção da reunião do CRUP.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Jardim Público ou Jardim Florêncio Terra






Construção do início do século XIX, onde outrora se encontrava o convento de S. João.
Sofreu algumas alterações ao longo da sua existência. Recordo-o com altos muros e portões de ferro verdes que eram encerrados, ao fim da tarde, pelo jardineiro que permanecia todo o dia no local, ocupando-se da manutenção e embelezamento do mesmo.
Na década de sessenta, esses muros foram derrubados e o Jardim passou a estar permanentemente aberto.
Era um dos miradouros da cidade, bem como o Largo do Relógio, onde turistas, pintores e outros se deliciavam nas longas tardes de Verão, observando o Pico, o canal, a baía ... e registando nas suas telas ou objectivas as mil e uma cores com que somos brindados.
Nas noites quentes de Verão, a Filarmónica Artista Faialense ensaiava no coreto e então os serões eram mais animados e prolongados para a rapaziada dos bairros (Bairro do Hospital e Bairro Moreira de Carvalho ou da Polícia) que se juntava e brincava.
Hoje, o Jardim Florêncio Terra é um jardim triste. Muitas das espécies desapareceram, ou porque envelheceram, ou porque é mais bonito plantar palmeiras ( que não dão sombra e nada tem a ver com a nossa vegetação endémica).
A rapaziada desapareceu, passa o dia na escola ou em outras actividades que não havia no meu tempo de menina e moça.
O miradouro tornou-se mais pobre, as construções com volumetria desmedida para o espaço abafaram a baía, o canal. Os turistas continuam a passar, mas com um passo mais largo.

Torre do Relógio

A primitiva Igreja do SS.º Salvador da Horta é aberta ao culto em 28 de Junho de 1514. Foi saqueada e incendiada pelos corsários ingleses em 1597. Iníciou-se a sua reconstrução em 1607. É reaberta ao culto a 20 de Dezembro de 1615. Torre do Relógio, torre sineira seicentista adicionada à primitiva Igreja Matriz, com um relógio datado de 1700. Constitui um dos ex-libris da cidade. Junto fica o Jardim Florêncio Terra, local onde existiu o Convento de São João. No Antigo Hospital Walter Bensaúde, que pertenceu à Santa Casa da Misericórdia, será as futuras instalações do Departamento de Oceanografia e Pescas (sigla DOP) da Universidade dos Açores (sigla UAç).

retirado daqui

sábado, 2 de janeiro de 2010

2010 Ano Internacional da Biodiversidade

Biodiversidade
A biodiversidade engloba a variedade de genes, espécies e ecossistemas que constituem a vida no planeta. Assiste-se a uma perda constante deste conjunto, com extinções e destruições com profundas consequências para o mundo natural e o bem-estar humano.

As principais causas são as alterações nos habitats naturais, resultantes dos sistemas intensivos de produção agrícola, da construção, da exploração de pedreiras, da sobrexploração das florestas, oceanos, rios, lagos e solos, da introdução de espécies alóctones invasivas, da poluição e, cada vez mais, das alterações climáticas globais. Vários estudos recentes da AEA mostram que se não forem envidados mais esforços políticos significativos, é improvável que esse objectivo será atingido.

retirado daqui

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

1 de Janeiro de 2010


O Pico apresentou-se, pela manhã, vestido a rigor para nos saudar.